Em 2025, o Brasil testemunhou uma virada inesperada no cenário do comércio exterior: as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6% em relação a 2024, atingindo US$ 37,7 bilhões, segundo dados do governo brasileiro (Brasil alcança US$ 349 bilhões em exportações durante 2025 e bate recorde histórico). Este foi o maior recuo desde 2020, auge da pandemia, em pleno momento em que o total das exportações do país subia 3,5%. A pergunta surge imediatamente: por que, mesmo navegando em maré alta nas exportações gerais, vimos naufragar vendas para o nosso principal parceiro industrial?
O impacto do “tarifaço” americano: o que mudou
Boa parte do problema passou a ter nome próprio: o “tarifaço” americano . Em meio a tensões comerciais, os Estados Unidos elevaram impostos de importação para diversos produtos brasileiros, deixando quase 22% das nossas exportações para o país sob novas condições (conforme afirmou Geraldo Alckmin, presidente em exercício (Tarifaço continua a afetar 22% das exportações)).
Essa medida, que parecia ser temporária, trouxe números preocupantes:
- Produtos brasileiros com tarifas de 40% ou 50% reduziram as exportações em 9,5%.
- Itens que escaparam das sobretaxas também sofreram: queda de 5,1%.
- Aqueles sob a Seção 232, focada em aço e alumínio, caíram 7,4%.
Entre agosto e dezembro, já com o tarifaço plenamente em vigor, a queda nesses produtos foi ainda mais acentuada: 21,6% em relação ao mesmo período em 2024, segundo dados da Amcham.

Estudos da Amcham e declarações de autoridades (como Fabrizio Panzini) mostram a dimensão do tarifamento especial:
- 35,9% das exportações brasileiras aos EUA estão sob tarifas via IEEPA.
- Outros 11,9% caem na Seção 232 (7,8% só em aço e alumínio).
A diferença é clara: as tarifas via IEEPA atingem apenas o Brasil, reduzindo nossa competitividade frente a outros países. Já a Seção 232, apesar de ampla, gerou negociações bilaterais com benefícios não totalmente detalhados (como no Reino Unido).
O momento estratégico para negociar
Existem algumas janelas de oportunidade em negociações internacionais. Como destaca Abrão Neto, o início do ano é o momento mais favorável para buscar soluções. A proximidade de eleições no Brasil, as de meio de mandato nos EUA e a revisão do pacto UMSCA podem dificultar tratativas e travar consensos.
É consenso entre especialistas que o Brasil deve priorizar a solução negociada para as tarifas IEEPA, já que vias judiciais tendem a ser apenas um passo e podem ser rapidamente contornadas pelos Estados Unidos, que já investigam o Brasil pela Seção 301. Essa combinação transforma a urgência em necessidade para proteger o fluxo de comércio bilateral (tarifaço pode afetar 36% das exportações para os EUA, diz Alckmin).
Soluções rápidas em 2025 poderão evitar prejuízos duradouros para a indústria de transformação.
A ação dos EUA na Venezuela não tende a atrapalhar diretamente essas negociações. O Brasil exerce papel importante na América do Sul, podendo colaborar em transições políticas e regionais, sem criar ruídos com Washington.
Queda se espalha além dos produtos sobretaxados
Grande parte da preocupação, segundo nosso acompanhamento no Tire o Brasil do Seu Dinheiro, é que a retração das exportações não ficou restrita aos produtos diretamente afetados pelas tarifas. Exemplos disso:
- Petróleo bruto (sem tarifas extras): queda de 18,9%.
- Celulose, ferro e aço semimanufaturados, equipamentos de engenharia, madeira e motores de pistão também despencaram.
Neste grupo, apenas a celulose segue atualmente fora de novas tarifas. Um ponto importante: o recuo do petróleo veio muito mais do aumento da produção nos EUA do que da queda de preços internacionais, como destaca Panzini.
O saldo é claro:
- US$ 1,5 bilhão exportado em produtos com tarifa de 40/50%.
- US$ 350 milhões em itens da Seção 232.
- US$ 1,1 bilhão em petróleo.
No total, US$ 2,65 bilhões a menos em vendas na comparação com o ano anterior.

Como setores e empresas sentiram o impacto
Mesmo com o cenário adverso, houve notas positivas: aeronaves, sucos e carne bovina tiveram alta em 2025, amenizando a baixa nas exportações industriais, que caíram 4,2% (primeira queda desde a pandemia). A indústria de transformação, motor do comércio entre os países, representa 80,6% das vendas brasileiras aos americanos e oito dos dez principais produtos exportados.
Expansões e ajustes também foram observados. Construtoras inovaram em lançamentos no período e grandes empresas, como a Vale, direcionaram investimentos em automação e sustentabilidade, mirando ganhos futuros frente ao cenário externo desafiador. Mudanças em cargos de direção acompanharam movimentos estratégicos em várias multinacionais.
Além disso, o Copom teve de ponderar sobre remessas de lucros e impactos das eleições nas próximas decisões, mostrando como a conjuntura internacional ecoa no cenário doméstico.
Novos ventos: importações em alta e déficit crescente
Se as exportações caíram, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram 11,3%, impulsionadas por motores, máquinas não elétricas, óleos combustíveis, aeronaves e medicamentos. O volume chegou a US$ 45,2 bilhões, segundo maior valor da história, e um terço dessas transações ocorre entre empresas do mesmo grupo nos dois países.
Nesse ritmo, o déficit comercial brasileiro com os EUA disparou para US$ 7,5 bilhões em 2025, bem acima dos US$ 249,5 milhões do ano anterior – embora ainda inferior aos déficits de 2021 e 2022. Isso mostra que, ainda em meio a desafios, o mercado segue ativo, com expansão do crédito, superávits internos e antigas tensões entre oferta e demanda persistindo.
Participação dos EUA nas exportações brasileiras
No contexto geral, os EUA seguem como principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 16% do total. A União Europeia aparece logo atrás (14%), seguida pelo Mercosul. No entanto, a fatia americana na exportação total encolheu: foi de 12% em 2024 para 10,8% em 2025. Enquanto isso, a China lidera com 28,7%, ampliando compras do Brasil em 6% no ano.
O mercado e a política caminharam lado a lado em 2025: a obra de Maneco marcou presença na TV, o Congresso debateu propostas com olhar nas eleições e movimentos de expansão de construtoras acompanharam a busca por equilíbrios no balanço comercial.
Para quem acompanha temas como internacionalização, dólar e negociações externas, recomendamos aprofundar nos tópicos de internacionalização patrimonial, macroeconomia e erros comuns ao investir em ativos no exterior.
O que fazer diante desse cenário?
O contexto, mesmo desafiador, mostra caminhos:
- A negociação deve ser ágil: buscar acordo para derrubar as sobretaxas, principalmente via IEEPA, é prioridade.
- É preciso monitorar as renovações de acordos, eleições e eventuais movimentos estratégicos dos EUA no cenário internacional.
- Empresas brasileiras devem investir em automação, diferenciação de produtos e novas estratégias de internacionalização para mitigar riscos.
- Quem investe ou pensa em investir fora do Brasil precisa redobrar atenção à conjuntura, diversificando mercados e acompanhando oportunidades de dólar, como discutimos em dolarização patrimonial e investimentos internacionais.
Recuar nas exportações também significa repensar estratégias e olhar para novas oportunidades globais.
Reflexão final: planejar é proteger patrimônio
No Tire o Brasil do Seu Dinheiro, temos acompanhado de perto o impacto dessas turbulências nas decisões de famílias e empresas brasileiras. Eventos assim reforçam a necessidade de diversificação de mercados, planejamento e montagem de estruturas internacionais sólidas, longe das armadilhas de um único país ou cenário político instável.
Caso você queira estar preparado para momentos assim, investindo de forma legal, segura e estratégica fora do Brasil, siga acompanhando nossos conteúdos e conheça nossa comunidade. Proteger e expandir patrimônio exige informação e ação, é nisso que podemos ajudar.
Perguntas frequentes
O que causou a queda das exportações?
A queda está diretamente ligada ao aumento de tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, como aço, alumínio e outros itens industriais, além de quedas na venda de petróleo e outros fatores conjunturais como o aumento da produção americana e mudanças globais no comércio. O chamado “tarifaço” respondeu por parte significativa da retração, segundo estudos recentes do setor.
Quais setores mais afetados pela queda?
Os setores da indústria de transformação, especialmente aço, alumínio, equipamentos industriais, petróleo, madeira e motores de pistão, sentiram forte impacto. Entre os grandes exportadores, apenas aeronaves, sucos e carne bovina apresentaram crescimento no ano.
Como a queda impacta a economia brasileira?
A diminuição das exportações afeta a geração de divisas, reduz receitas de empresas exportadoras e pode provocar aumento do déficit comercial com os EUA. Indiretamente, pressiona empregos no setor industrial, investimentos e a balança de pagamentos brasileira.
O que fazer para retomar as exportações?
O caminho mais comentado por especialistas é negociar acordos para eliminar ou minimizar tarifas extras, investir em inovação, automação e diferenciação de produtos e diversificar mercados, ampliando presença em mercados como China e União Europeia.
Vale a pena investir no mercado americano?
Apesar dos desafios, o mercado americano continua sendo referência global de inovação, liquidez e regras sólidas. Com planejamento, análises estratégicas e diversificação, investir nos Estados Unidos segue acessível e interessante para proteção patrimonial. Conheça nossos conteúdos e nossa comunidade para tirar dúvidas e tomar decisões melhores.